
Texto-base: Romanos 9:14-24
Tema: A soberania de Deus, a eleição e a perseverança dos santos
Imagine a cidade de Roma no século I: uma igreja formada por judeus e gentios.
Os judeus, muitos recém-chegados de volta após a expulsão de Cláudio (Atos 18:2), voltam a uma cidade onde a igreja já estava crescendo e agora predominantemente gentílica. Gentios que nunca tinham nascido sob a Lei agora professam Cristo, enquanto alguns judeus, o povo escolhido de Deus, permanecem céticos ou rejeitam o Messias.
Se você estivesse no lugar deles, talvez pensasse: “Isso é justo? Deus não escolheu meu povo?”
É exatamente esse tipo de questionamento que Paulo enfrenta em Romanos 9. Ele escreve para uma igreja em tensão, com corações orgulhosos e confusos, e nos confronta com uma pergunta que ecoa até hoje:
“Quem és tu, ó homem, para questionares a Deus?”
Uma igreja formada por judeus recém-chegados de volta após a expulsão de Cláudio (Atos 18:2) e por gentios que abraçaram o evangelho.
Os judeus, acostumados a se orgulhar de sua linhagem, veem agora gentios pessoas que nunca nasceram sob a Lei sendo alcançados por Cristo.
Se você estivesse lá, talvez sentisse um misto de confusão e injustiça: “Como Deus poderia escolher uns e não outros? Não era o meu povo que deveria receber a bênção?”
É exatamente essa tensão que Paulo enfrenta em Romanos 9. Ele escreve para essa igreja em Roma e nos lança a pergunta que ecoa por séculos:
“Quem és tu, ó homem, para questionares a Deus?”
Não é apenas um questionamento intelectual; é uma chamada ao coração, uma forma de nos lembrar de que Deus é soberano e que nosso entendimento é limitado.
Deus é soberano e não depende do homem (v. 10-13)
Paulo nos lembra da história de Isaque e Ismael, Jacó e Esaú. Antes mesmo de nascerem, Deus já sabia quem seria o herdeiro da promessa.
Pense nisso por um instante: antes de nosso primeiro choro, antes de respirarmos o ar da vida, Deus já nos conhecia, já nos amava, já tinha um propósito para nossas vidas.
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Nossa salvação não depende de esforço humano ou méritos pessoais.
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Deus é soberano, e nós, simples barro em Suas mãos, não podemos ditar nossos caminhos nem nossas bênçãos.
Ilustração:
Imagine um oleiro moldando o barro. O barro pode se contorcer, pode até resistir, mas no final, a forma final depende do oleiro. Assim é conosco: somos moldados, guiados e sustentados pelo Deus que nos conhece desde antes de nascermos.
A justiça de Deus não é medida pelo padrão humano (v. 14-18)
Alguns questionavam: “Se Deus escolhe alguns e rejeita outros, não é injusto?”
Paulo responde com firmeza: “De modo nenhum!”
Deus tem o direito absoluto de mostrar misericórdia a quem Ele quer, e até o endurecimento do coração de Faraó foi usado para manifestar Sua glória (Êxodo 9:16).
Quantas vezes nós, olhando só para o nosso lado, pensamos que algo é injusto? Um projeto não deu certo, alguém nos rejeitou, uma porta se fechou… e sentimos que Deus "falhou."
Mas a verdade é que Deus vê a história inteira, enquanto nós só enxergamos fragmentos.
Pergunta retórica:
Se você só olha para o seu pequeno mundo, consegue entender os planos infinitos de Deus? Claro que não. Por isso, Paulo nos lembra: não somos juízes de Deus.
O homem diante de Deus: humildade radical (v. 19-21)
Paulo corta direto:
“Quem és tu, ó homem, para discutir com Deus?”
Deus é o Oleiro, nós somos o barro. Nosso papel não é questionar, mas confiar, mesmo quando não entendemos.
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Há momentos em que a vida dói, e nada faz sentido.
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Há feridas que parecem eternas e portas que nunca se abrem.
Ilustração:
Imagine confiar seu filho pequeno a alguém que sabe exatamente o que faz. Ele vai cair, se machucar, chorar… mas você sabe que no final será guiado para o caminho certo. Assim é Deus conosco. Ele nos guia, mesmo quando o caminho parece difícil.
Propósito final da eleição (v. 22-24)
Aqui Paulo fala dos vasos de ira e vasos de misericórdia. Mas não é apenas um conceito teológico frio; é uma revelação profunda do coração de Deus.
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Vasos de ira: mostram que Deus é justo. Ele não ignora o pecado, não deixa a injustiça sem resposta.
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Vasos de misericórdia: mostram a beleza de Sua graça, a riqueza de Seu amor e a profundidade de Sua glória.
Tudo converge para a glória de Deus, não para exaltar o homem. Cada eleição, cada chamado, cada perdão serve para mostrar quem Deus é e não quem nós somos.
Ilustração:
É como uma obra de arte: se você olha apenas para a tinta ou para a tela, não entende. Mas quando vê a obra inteira, percebe que cada traço, cada cor, cada detalhe contribui para a beleza final. Assim é a eleição: Deus é glorificado em tudo.
A distorção da verdade nos dias de hoje
Hoje, algumas igrejas tentam suavizar ou reinterpretar o ensino de Romanos 9:
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“Deus ama a todos da mesma forma, então a eleição é apenas simbólica.”
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“Uma vez salvo, salvo para sempre; podemos viver em pecado sem consequências.”
Mas a Escritura é clara: a eleição é soberana, e a graça não nos torna passivos diante do pecado.
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A verdadeira fé luta contra a natureza caída, prova que somos ovelhas de Cristo e que a obra de Deus em nós é real.
A perseverança dos santos: o eleito não se perde
A Bíblia nos garante que aqueles que Deus escolhe não se perderão:
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Efésios 1:14: O Espírito Santo é o selo da nossa herança, garantia da salvação futura.
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João 10:28-29: Ninguém pode arrebatar as ovelhas da mão de Cristo.
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Romanos 8:30: Deus predestinou, chamou, justificou e glorificará os Seus eleitos.
O crente pode se afastar, cometer erros, desviar-se do caminho, mas Deus garante que será encontrado no tempo certo.
A luta diária contra o pecado é prova da nossa eleição, da nossa identidade como ovelhas de Cristo.O espantalho: “Uma vez salvo, salvo para sempre para pecar”
Ser salvo não significa viver sem esforço, sem arrependimento, sem luta.
Se alguém se acomoda no pecado, não é sinal de salvação verdadeira.
Lutamos contra a natureza pecaminosa, crescemos em santidade e buscamos a obediência
isso prova que somos Eleitos e pertencemos a Cristo.
1. A verdadeira salvação produz obediência e santidade
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1 João 2:3-6 – “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas aquele que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus é aperfeiçoado. Nisto conhecemos que estamos nele.”
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Aplicação: Salvação verdadeira leva à obediência, mesmo em meio à luta diária.
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Filipenses 2:12-13 – “Assim, meus amados, como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”
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Lutamos contra o pecado, mas é Deus quem nos sustenta.
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2. A luta contra a natureza pecaminosa é sinal de eleição
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Romanos 6:1-2 – “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum! Nós, que morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
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A salvação não é licença para pecar; os eleitos lutam contra o pecado.
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Gálatas 5:16-17 – “Digo, porém: andai pelo Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que quereis.”
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A vida do crente é marcada por conflito com a natureza pecaminosa.
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3. A perseverança é ativa e fruto da graça
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Hebreus 12:1-2 – “Portanto, também nós, visto que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé.”
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Perseverar é ativo: devemos lutar, correr a corrida da fé.
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1 Pedro 1:5 – “Aos que mediante a fé são guardados pelo poder de Deus para a salvação, já preparada para se revelar no último tempo.”
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A perseverança não depende de nós apenas, mas do poder sustentador de Deus.
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Com isso aprendemos sobre:
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Humildade: Reconheça que Deus é soberano, e nós somos barro.
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Segurança: Se Deus nos escolheu, nada pode nos separar do Seu amor.
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Santidade e perseverança: Lutamos contra o pecado, fruto da eleição.
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Gratidão e adoração: A salvação é para glorificar Deus.
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Evangelização confiante: Pregamos porque Deus chama Seu povo.
Romanos 9 nos lembra:
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Deus é soberano, nós somos barro.
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Ele escolhe, chama, justifica e glorifica.
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O crente verdadeiro não se perde; pode se afastar, mas será encontrado.
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Nossa luta diária contra o pecado é prova da eleição e da graça que nos sustenta.
A pergunta que deve ecoar em nossos corações:
“Senhor, quem sou eu para receber tamanha misericórdia?”
E, ao mesmo tempo, nos levanta para viver lutando, perseverando e glorificando o Deus que nos chamou, sabendo que Ele nunca nos abandona.

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